A Comunicação Não-Violenta a Caminho da Escola

De um lado, eu, André, 40 anos, 82kg, promotor e fiscal do cumprimento do horário da escola.

Do outro, Cacá, 8 anos, 34,5kg, advogada ferrenha das vontades sem prazo.

Saímos de casa um tanto emburrados um com o outro devido à disputa que acabáramos de ter sobre a prevalência do horário da escola ou das vontades divertidas.

Ninguém estava vencendo ninguém. Estávamos atrasados e com as vontades interrompidas.

Ambos derrotados e munidos de nossas carrancas, saímos a enfrentar nossas companhias por cerca de três quarteirões bem grandes até a escola. Nem ajuda pra carregar a mochila ela quis.

Alguma intenção de diálogo sobrara, no entanto, ainda que por protesto ou revolta.

E assim fomos contando um para o outro o que não gostamos de ver e ouvir na atitude e boca alheia.

Em vez de embrutecermos mais, a conversa foi mostrando nossas próprias fraquezas e limites: o quanto não conseguimos fazer na hora da irritação.

No fim do segundo quarteirão, começamos a nos comprometer em ficar atentos a nós mesmos e a alertar o outro do que não está gostando na próxima vez.

Atravessamos a última rua e, ao chegar no portão de entrada, nos despedimos com beijos em rostos leves e sorridentes que mutuamente pronunciavam um autêntico “Eu te amo”.