Filosofia e Saúde

Roteiro do Vídeo #5 do canal no YouTube

Link do vídeo: https://youtu.be/CVdJ0FTZlwo

Roteiro #5: Filosofia e Saúde

Olá, pessoal!

Como é que vocês estão?

Tudo bem?

Eu realmente espero que sim!

Eu sou o André Torres e hoje eu vou falar sobre uma relação entre Filosofia e Saúde.

[Vinheta]

O Danilo, aluno do nosso curso de formação Existere, fez uma pergunta/sugestão aqui no canal.

Ele disse que gostaria de saber qual seria a contribuição da Filosofia e da Psicologia num momento em que se valoriza a ciência e a técnica como forma de combate ao coronavírus.

Eu sempre estive entre dois lados na minha atuação profissional: estudando Filosofia com muito interesse e, ao mesmo tempo, trabalhando como profissional na área da saúde.

É comum que haja bastante confusão entre os temas e atuações mas hoje isso parece mais claro para mim.

A primeira coisa a pensar é sobre a Ciência e a Técnica.

Vários autores da Fenomenologia e das filosofias existenciais criticaram a ciência tradicional e o excesso e primazia da Técnica.

Heidegger fala por exemplo da Era da Técnica.

Mas isso não significa que não deve haver ciência e técnica.

O que se busca é uma re-união entre as formas de se pensar.

Aparentemente, nossa época está querendo fabricar diversas polarizações que, se a gente for olhar com calma, não são lados de uma disputa verdadeira.

São apenas perspectivas diferentes sobre o mundo.

Nós estamos acostumados, por exemplo, a contrapor Filosofia e Ciência, Exatas e Humanas, Pesquisa Quantitativa e Pesquisa Qualitativa… e várias outras supostas disputas.

Reinaldo Furlan (2017): Perspectivas para se fazer ciência de maneiras diferentes.

Evitar:

Falsa polarização que nos leva a ataques e a não dialogar.

Pesquisa quantitativa não elimina quantitativa e vice-versa.

Ciências Exatas não eliminam Humanas e vice-versa.

Precisamos evitar os rótulos ideológicos do pensamento (Escolas de Filosofia e abordagens da Psicologia, por exemplo)

Em segundo lugar, é importante tomarmos consciência de que Filosofia não é sinônimo de História da Filosofia.

Aprender a filosofar é aprender a pensar o dia a dia, o momento presente.

É comum que muitas pessoas desanimem ao ouvir falar em Filosofia e já imaginam que vão começar lá com Sócrates uma cantilena que nunca chega ao fim.

Nós somos no mundo e a Filosofia que nos inspira afeta nossas escolhas, pensamentos e jeito de viver.

Por exemplo, diante de tantas dificuldades atuais na sociedade, começaram a ser divulgados diversos vídeos sobre o Estoicismo, que é um movimento filosófico cujas reflexões sempre se propuseram a ajudar as pessoas a enfrentarem dificuldades e o sofrimento em suas vidas.

Se vocês pesquisarem sobre o assunto vão encontrar muita coisa interessante.

Então as correntes filosóficas e os seus autores nos auxiliam na busca de qualidade de vida, na forma de pensar sobre as coisas, de sentir, de valorizar isso ou aquilo e etc.

Por isso a importância de encontrarmos uma filosofia de vida através de reflexões próprias e inspiração nas obras de outros pensadores.

Se nós falamos em polarizações no começo do vídeo, isso leva a pensar em filosofias que buscam criar oposições, como o Maniqueísmo, por exemplo, com a ideia de que existe um Bem e um Mal.

Se eu tenho como base uma filosofia Ética que tenha uma postura compreensiva, esses rótulos de Bem e Mal podem parecer infantis, possibilitando para mim maior empatia e diálogo até o limite em que me for possível.

Se olharmos para o enfrentamento COVID-19, por exemplo, percebe-se que os países que melhor conseguiram enfrentar a pandemia são os países que mostram filosofias populares e representações políticas que têm como base filosofias que pregam o pensar e cuidar do outro, respeitar a esfera pública e a gentileza.

Já os países que pregam – seja através da sua cultura, seja através dos seus representantes políticos – o individualismo, a competição, a primazia da liberdade individual sobre o bem comum, a intolerância na relação com o outro e o desprezo pela esfera pública estão tendo muito mais dificuldades para lidar com a evolução da doença.

E é essa reflexão que nos leva à terceira etapa do nosso debate:

E quem disse que a relação entre Indivíduo e o aspecto social são uma dicotomia?

Voltamos à mesma problemática inicial.

Pensar em si mesmo vs pensar nos outros é outra falsa polarização.

Pensar no outro é pensar em mim.

Cuidar do outro é participar de uma trama de relações sociais em que o benefício de alguma forma retorna para mim.

No entanto, eu só consigo cuidar verdadeiramente do outro se eu estiver minimamente cuidado… por mim mesmo.

Temos mais uma relação de complementaridade entre cuidado e autocuidado, microcosmo e macrocosmo do que uma oposição dicotômica.

Pra finalizar o conteúdo, deixo minha reflexão: O individualismo ideológico é uma distorção da noção de liberdade.

É nocivo e sempre levou à extinção de populações humanas.

A Natureza em seu todo, seja no microcosmo (células, bactérias, plantas e animais) ou no macrocosmo (florestas, ecossistemas, oceanos) é essencialmente comunitária.

Os humanos, no entanto, sempre têm a opção de sair dos determinismos e criar novas culturas com outras características diferentes daquelas que são típicas da Natureza.

Se isso por um lado pode ser bastante rico e diverso, por outro lado, pode nos levar à destruição.

Dessa forma, se eu mudar a filosofia com a qual olho para o mundo, tudo muda: ciência (o que deve ou não ser pesquisado), técnica (quais as finalidades e materiais utilizados), política (se devemos ou não ouvir determinados setores da sociedade), economia (pra onde vai o dinheiro a ser investido) e por aí vai…

Portanto, concluindo o nosso tema, a Filosofia é muito útil e presente, assim como a ciência e a técnica.

Porém, se a ciência e a técnica são instrumentais, ou seja, podem ser direcionados para ações que beneficiam tanto a saúde como a doença, a Filosofia seria o elemento que define qual é essa direção.

1 – Filosofia, ciência e técnica não são oposições, todos têm seu importante lugar ao sol;

2 – Filosofia não é História da Filosofia, coisa da Antiguidade; Filosofia é presente, está acontecendo nesse exato momento e influenciando as vidas das pessoas sem que elas saibam;

3 – Não podemos pensar em oposição entre indivíduo e social quando na verdade são o microcosmo e o macrocosmo da mesma coisa;

4 – Mudando a Filosofia pela qual olho o mundo, muda a ciência, muda a técnica, muda a política, muda a economia e por aí vai.

E assim percebemos a importância da Filosofia e seus desdobramentos tanto na formação como na aplicação da ciência e da técnica hoje e sempre.

Pra gente se despedir, gostaria de pedir aos que quiserem que se inscrevam no canal, ativem as notificações, compartilhem o vídeo e podem continuar dando sugestões para os conteúdos futuros nos comentários dos vídeos.

Agora eu me despeço então, deixando uma reflexão pra vocês: saúde e economia seriam uma oposição real? Uma dicotomia inevitável? Ou seria possível contemplar as duas perspectivas numa situação como a de hoje?

O mundo é um só, assim como minha vida é uma só.

Abraço virtual e até a próxima!