Roteiro de vídeo #9 – Prontuários Psicológicos

Olá, pessoal!

Como estão vocês? Estão bem? Eu realmente espero que sim…

Meu nome é André Torres e hoje eu vou falar sobre prontuários de Psicologia.

[vinheta]

Nos últimos dias tivemos uma notícia que algumas pessoas consideraram como perturbadora para os serviços de atendimento psicológico.

Mas eu gostaria de fazer o meu comentário sobre isso aqui.

A notícia (que vi na BBC Brasil) é sobre uma rede de clínicas de Psicologia da Finlândia que teve seu sistema de prontuários hackeado e a identificação e relatórios dos seus clientes produzidos pelos psicólogos da franquia foi acessado.

(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-54698957?at_custom3=BBC+Brasil&at_custom1=%5Bpost+type%5D&at_custom2=facebook_page&at_campaign=64&at_medium=custom7&at_custom4=D52E8CE4-1853-11EB-9C19-55284D484DA4&fbclid=IwAR0VdVcbw8yIo6S5uDPIv06GYsI-ztq49qA4F_bmPQvXId9MnUAu_0K6HbQ)

Desde então, algumas pessoas começaram a ser contatadas e chantageadas pelos invasores.

Se não quisessem sua intimidade exposta, teriam que pagar o “resgate”.

O evento chegou a envolver o governo finlandês

Sim, é bastante preocupante saber dessa possibilidade.

Eu mesmo e minha equipe utilizamos um sistema informatizado online de registro de prontuários, o Psicomanager, que tem facilitado demais o nosso trabalho.

(http://www.psicomanager.com.br)

Eles afirmam ter um sistema seguro e eu realmente acredito nisso.

Porém, não se iludam com ferramentas, nada substitui um profissional qualificado.

Ferramentas são ferramentas.

Não precisamos demonizar a tecnologia por isso.

Assim como hoje um hacker pode invadir um sistema para chantagear as pessoas, antigamente, alguém podia fotografar, ler ou roubar pastas físicas e fazer o mesmo.

Porém, profissionais são profissionais.

Eu sempre faço os registros e oriento meus alunos e equipe a fazer o registro das evoluções dos casos sem quebrar sigilo.

[Antes de continuar, vou pedir pra você curtir, compartilhar o vídeo, assinar o canal e deixar aqui seus comentários para nossas futuras produções]

Obviamente que ninguém gosta de ser exposto e eu também não pretendo expor ninguém mas posso afirmar que, se um dia isso acontecer com os meus clientes – e realmente espero e cuido para que nunca aconteça – a chantagem não será possível.

Essa invasão já é um crime, uma violação do sigilo e quem o faz deve ser denunciado.

Mas existem outras situações em que o sigilo acaba sendo quebrado e isso não fica tão óbvio.

Por exemplo, quando o psicólogo ou a psicóloga trabalham numa equipe.

Quando se trabalha em equipe, seja num hospital, seja numa instituição escolar ou social, numa clínica-escola, numa clínica multiprofissional, o prontuário é compartilhado entre os diferentes profissionais: médicos, assistentes sociais, pedagogos, educadores, fisioterapeutas…

E como é que eu faço se eu me comprometi a manter o sigilo do que a pessoa me conta sem revelar aos outros membros da equipe?

Ninguém precisa invadir sistema nem abrir fechaduras para isso, não é mesmo?

A diferença está na forma de se fazer o registro.

O registro é obrigatório a todas as psicólogas e psicólogos conforme resolução do Conselho Federal de Psicologia 001/2009.

Segundo as orientações para o trabalho em equipe – e eu penso que temos que sempre pensar assim num mundo complexo e tecnológico – “De acordo com o artigo 6º, do Código de Ética Profissional dos Psicólogos – compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado, resguardando o caráter confidencial das comunicações, assinalando a responsabilidade de quem as recebeu de preservar o sigilo.” (Fonte: http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/163/frames/fr_questoes_eticas.aspx)

(Registro da atuação profissional, das atitudes do terapeuta).

(Caso das devolutivas para pais de crianças e adolescentes)

Os detalhes dos casos, que costumam ser mais constrangedores, não precisam ser registrados em lugar nenhum além da memória do psicólogo.

Por isso, costumo e oriento fazer o registro da evolução do caso através de tópicos vagos que não quebram sigilo mas permitem que as informações sejam resgatadas pelo profissional e que as indicações técnicas sejam compreendidas pela equipe.

Por exemplo, se alguém vem ao meu consultório e me conta sobre um conflito no relacionamento, eu não preciso especificar qual é o conflito.

Em vez de registrar: “não consegue ficar sem trair a esposa” ou “está tendo um caso com o vizinho”, eu vou registrar algo como “Relacionamento” e na outra linha “Conflito” e numa observação entre parênteses para representar meus pensamentos e percepções durante a sessão “Humor rebaixado, angústia de liberdade, moral”.

Se alguém vazar meus registros, eles são tão amplos que vão representar a vida de muitas pessoas, ou seja, não dá pra chantagear ninguém.

Anotações de estudo de caso são feitas fisicamente (papel e caneta), não tem quebra de sigilo; podem ser arquivadas em armário com chave ou destruídas imediatamente após a supervisão. Fragmentadora de papel.

Perigo existe, sempre existiu e sempre existirá.

Por isso, não adianta confiar apenas numa ferramenta se você não tem um profissional preparado e atualizado.

Até a próxima!

 

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Link para o vídeo: https://youtu.be/j-jyv18uHOo